
NTRODUÇÃO
É emocionante ler os últimos dois capítulos de Romanos que expressam com tanta nitidez o relacionamento de Paulo com esses irmãos, mencionando nomes e identificando-os pelas qualidades observadas tal como um pai faz com seus filhos. O ambiente é de família; não de chefe e subordinados; não de general e soldados ou de alunos e mestres. Discipulados são pais e irmãos mais experientes, transmitindo vida aos mais novos para que aprendam a caminhar na fé e a se reproduzirem em novos discípulos. Será que conhecemos bem aqueles que servem a Deus conosco e temos investido um tempo de qualidade para o crescimento espiritual deles? Ninguém deve deixar de fazer o pouco que pode por não poder realizar o muito que gostaria!
UNIDADE CRISTÃ (Rm 15:6-13)
Como afirmou Jesus, deveríamos ser conhecidos pelo amor (Jo 13.35).
Depois, João escreveu: “Vede que grande amor nos tem concebido o Pai; que fôssemos chamados filhos de Deus; e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu a ele” (1Jo 3.1). A maneira mais fácil do mundo conhecer Deus é conhecê-lo por meio dos seus filhos. Será que somos dignos dessa honra, ou daremos uma pálida e fraca impressão de Deus? Os atos da igreja neste mundo são os atos de Cristo neste mundo. A igreja é o corpo de cristo. O próprio Paulo em Efésios 4.15 e 16 escreve: “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual o corpo inteiro bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, efetua o seu crescimento para edificação de si mesmo em amor”. A tônica da oração de Jesus em João 17 é a unidade. Ele pede para que todos sejam um assim como ele é um com o Pai (v.21). A unidade não é opcional. É um atendimento ao imperativo divino.
A MÚTUA RESPONSÁBILIDADE (Rm 15.14)
Ecoa, ainda, em cada um de nós a pergunta que tem atravessado os séculos: “...SOU EU UM GUARDA DE MEU IRMÃO?’ (Gn 4.9b).
Para Caim, foi uma fuga em face do fratricídio cometido. Para nós, é uma tentativa de transferir responsabilidade. Todos conhecemos os direitos e os deveres: os nossos direitos e os deveres dos outros. O ensino bíblico é riquíssimo em reciprocidade consoante ao que Jesus disse em Mateus 7:12.
O discipulado oferece a maior das oportunidades em termos de mútua responsabilidade. É uma fonte inesgotável de benefícios para quem é discipulado e para quem discípula. Os desafios e tarefas que sugerimos ao discipulando, precisamos também, efetuar. Seria hipocrisia exigir do outro um padrão de vida que não tenho buscado alcançar. Nossa meta deve ser formar discípulos que tenham condições de nos admoestar e ministrar a graça de Deus para nós.
Numa família, é comum os filhos darem conselhos aos pais. Sinal de que aprenderam com os pais e estão amadurecidos. Na vida espiritual, isso é mais acentuado posto que o próprio Espírito santo é o grande Mestre que nos dá sabedoria, não pelo tempo de casa mas pela intensidade da busca. Você poderia ser abençoado por um filho na fé? Já viveu essa experiência?
A NOSSA CASA COMO IGREJA (RM 16.3-5)
Infelizmente, herdamos do Antigo Testamento e da cultura católica o conceito antigo de templo. Achamos que templo e igreja são a mesma coisa. Deus morava no templo, mas no Novo Testamento, cada crente é o templo do Espírito Santo (1Co 6:19).
Quando Jesus morreu na cruz, o véu do templo se rasgou, mostrando que Deus não estaria mais lá e o Santo dos Santos estava vazio. Deus saiu do templo e veio para os corações. Paulo, em Atos 17.24, declara categoricamente que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas! Geralmente, déssemos que vamos à igreja, mas na verdade, vamos ao templo. A igreja está onde dois ou três estiverem reunidos, em nome de Jesus. A cultura não incentiva uma igreja em casa, mas os primeiros passos do cristianismo foram dados nas casas. Isso durou até o século IV, quando o imperador Constantino tornou a igreja da época uma instituição oficial do governo. Quem era cidadão romano, automaticamente tinha que ser cristão. Não era fruto de uma escolha pessoal mas uma adesão legal. Seria bom que você pesquisasse sobre isso e pudesse entender melhor por que hoje, quando se fala em igreja, o que vem à mente é um templo, com pastor e tudo mais. Isso tem sido um obstáculo pra a propagação do evangelho e a salvação dos bilhões de perdidos no mundo.
CUIDADO COM AS INFLUÊNCIAS NEGATIVAS (Rm 16.17,18)
Não é bom conservar ao nosso lado pessoal que nos atrapalham na fé que abraçamos. Os verdadeiros amigos são aqueles que nos tornam melhores que somos quando estamos com eles. Um amigo não deseja que eu baixe os meus padrões e negocie os meus princípios. Ser amigo é honrar o outro e respeitar as suas convicções, ou confrontá-las em amor, quando nos parecem equivocadas.
O Salmo 1 e o Salmo 101 têm mensagens importantíssimas neste particular. Não fazemos as coisas para os outros verem, mas precisamos ter consciência de que, enquanto fazemos, pessoas estão nos vendo. O cuidado tem duas vertentes: com eu ando e influencio os outros, e com quem ando e sou influenciado. O profeta Amós pergunta: “Acaso andarão dois juntos, senão estiverem de acordo? (Am 3.3).
Paulo, em 1Coríntios 15.33, adverte: “Não vos enganeis. As más companhias corrompem os bons costumes”. Há muita gente ousada e imprudente. Arrisca-se sem a mínima necessidade e ainda culpa o Diabo! Satanás é mentiroso e mau. Não podemos esperar dele alguma coisa boa. Ele é mau por natureza.
EXIGÊNCIA DA OBEDIÊNCIA (Rm 16.19,20)
No discipulado, é sempre oportuno voltar à obediência, considerando que é o maior desafio bíblico. Nem todos os que louvam, adoram, oram e ajudam ao próximo, estão em obediência, mas os obedientes fazem estas coisas e, também, as outras, como evangelizar, discipular, entregar os seus dízimos e ofertas, honrar pai e mãe, obedecer a seus pastores.
Os crentes romanos foram elogiados pela obediência que era reconhecida por todos. Quem busca prazer sem obedecer poderá nuca encontrar o verdadeiro prazer, mas quem busca obedecer sempre encontrará prazer. O caminho da obediência pode ser duro, mas será sempre o melhor que o da desobediência. Será que vale a pena obedecer a Deus? Samuel disse para Saul que o pecado da rebelião é como o pecado da feitiçaria, e a obstinação é como a iniqüidade da idolatria (1Sm 15.23). é uma boa decisão assumir uma vida de obediência como crente e como igreja.
CONCLUSÃO
O cidadão romano estava bem familiarizado com um ambiente de leis, de doutores da lei e de rara impunidade. Não era novidade e nem tão penoso assumir o cristianismo como algo que exigia compromisso e fidelidade. Era apenas uma questão de valor para essa vida e para a eternidade. Ele tinha consciência de que, uma vez assumido um viver sob as leis divinas, sua vida seria regida por outro sistema de valores. Por isso , as ações como morrer, mortificar, honrar e outras não menos aterrorizadoras, estavam implícitas no pacote da fé. “O justo viverá pela fé” (Rm 1.17) era a verdade aceita e internalizada, não importando o custo.
Até onde vai o nosso compromisso com Jesus num ambiente de muita impunidade? Morreríamos por ele e em nome dele? O que significa ser cristão naquele tempo e o que significa hoje? Deus mudou e há menos exigências e expectativas com os seus discípulos?
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Romanos
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