
INTRODUÇÃO
A exuberância do discipulado na vida de uma igreja foi a experiência com o apóstolo Paulo. Depois do seu encontro com Jesus na estrada de Damasco (At9), alguém o levou até a casa de Judas (de Tarso) onde foi apresentado a Ananias e batizado por ele. Logo depois, Barnabé o tomou e se tornou o seu discipulador. Atualmente, temos em nossas igrejas alguns poucos obstetras (Atuam no nascimento) e raríssimos pediatras (os que cuidam depois do nascimento). Já pensaram em uma mãe tirando férias do lar logo após o nascimento de um filho? Será que uma criança poderia viver sem a ajuda de alguém? Já temos a “Operação André” (estratégia para alcançar os perdidos) e estamos lançando a “Projeto barnabé” (estratégia para cuidar dos achados). Paulo foi bem cuidado por Barnabé e fez o mesmo com Timóteo, Tito e muitos outros. Se você ainda não tem sido um pai espiritual que gera ou cuida de filhos espirituais até que alcancem a maturidade para se reproduzirem, que Deus desafie o seu coração para assumir um compromisso extremamente bíblico e necessário! Inspire-se nos exemplos a seguir.
AQUELE QUE APONTA PARA CRISTO (JO1.35-37)
O grande cuidado dos discipuladores é, exatamente, deixar claro que os discípulos são de Jesus e não propriedades deles. João, o grande dispipulador, tomou três decisões fundamentais:
1) “Eu sou a voz do que clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (Jo 1.23). Ele estava consciente de quem ele era e o que deveria fazer;
2) “Eis o cordeiro de Deus” (Jo 1.36), mostrando que não era ele o alvo e nem aquele que deveria ser realmente seguido;
3) “Importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).
João trabalhava para enaltecer Jesus e glorificar a Deus com a sua vida e ministério. Em resumo, ele preparou o caminho, mostrou o caminho e saiu do caminho! O discipulador é tentado, na maioria das vezes, a preparar o caminho, mostrar o caminho e ficar no caminho. Ele pode se tornar uma luz tão brilhante que, a exemplo dos besouros, voam e batem na luz e caem no chão. Insistem em voar, mas a luz os atrapalha. A maior alegria de um discipulador é ver o progresso do discipulando e não tê-lo como um concorrente. Deus nos deu diferentes dons e cada um fará melhor o que for feito exercendo os seus dons. Matusalém viveu 969 anos e ele só é lembrado por isso. Jesus viveu apenas 33 anos! O valor não está necessariamente no tempo de vida mas como viveu a vida num determinado tempo.
AQUELE QUE LEVA O PARENTE (JO 1.40-42)
As narrativas bíblicas pouco destacam André, mas registram dois acontecimentos extraordinários na vida desse homem. João fala que foi André que levou o seu irmão Pedro a Jesus, logo depois de tê-lo conhecido. E, também, João que menciona o seu nome como aquele que achou um menino que tinha cinco pães e dois peixes (Jo 6.8).
A maioria dos batistas e grande parte dos evangélicos sabem quem é Billy Graham. Entretanto, ele credita o êxito do seu ministério a sua família, a sua equipe e a milhões de anônimos que por ele oram no mundo todo. Pedro foi um dos mais destacados entre os discípulos, mas foi o quase anônimo André que Deus usou para trazê-lo a Jesus. Em nossas estatísticas pelo Brasil, temos descoberto que mais de 95% dos membros de nossas igrejas foram levados a Jesus por gente conhecida, estando a família em primeiro lugar como agente da salvação. Você está orando para que membros da sua família se convertam? Que tal parar agora e cada um orar por familiares seus ainda não crentes, depois de mencionar seus nomes e dizer em que condições se encontram na sua vida espiritual?
AQUELE QUE MOSTRA AO AMIGO (JO 1.44-46)
Outra fonte geradora de salvos é o testemunho de amigos para os amigos. Muitos pela ausência de um programa de discipulado nas igrejas, onde a chance que o novo crente tem de estudar a Bíblia e se preparar para o batismo se resume no horário da EBD, aos domingos. Via de regra, as igrejas não possuem crentes preparados para fazer o discipulado nos lares dos novos convertidos. Logo após o batismo, recebem o desafio de ganhar os amigos para Jesus. Aí ele declara que os seus amigos atuais já são todos crentes! Suas atividades esportivas e de lazer são feitas com o pessoal da igreja. Também, não freqüenta mais as festas da família! O resultado disso é que matamos um ardoroso missionário junto aos seus amigos e família, muitos disposto a ganhar pessoas para Jesus. Dentro de pouco tempo ele se comportará como os demais da igreja: sem evangelizar, sem discipular e deixar de freqüentar os culto de oração. Se praticarmos o discipulado e crermos no poder que o Espírito Santo tem para proteger os que estão sendo edificados na Palavra, a conquista de amigos será abundante. Você está orando por alguns amigos e agindo estrategicamente com eles afim de trazê-los a Jesus? Lembrem-se, também, assumindo o dever diante de Deus de trazê-los a Jesus.
AQUELE QUE PARTICIPA DO TRABALHO (AT 18.1-3)
Vivemos em um mundo de parcerias. Várias parcerias têm sido estabelecidas visando a um bom negócio para as partes envolvidas. Paulo e Áquila viveram esta experiência em termos profissionais, mas não pararam por aí. Eram, também, parceiros na expansão do reino de Deus, colocando em prática o que depois registraria em uma de suas cartas áquela igreja (At 3.9). Satanás sabe que a cooperação é, tremendamente, salutar e estratégica para a expansão do reino de Deus e, por isso, não podemos permitir que ela enfraqueça. Nos últimos anos, com os problemas financeiros e de gestão invadindo nossas instituições, o advento de tantas denominações evangélicas e inúmeros modelos eclesiásticos, os alicerces da cooperação têm sofrido intensos bombardeios e até mesmo mexido com a fidelidade das igrejas com sua denominação. Precisamos estar mais unidos como bons parceiros, compartilhando esforços e minimizando custos, visando ministérios bem-sucedidos. Sua igreja é fiel na entrega do Plano cooperativo e participa das ofertas missionárias?
Por que sim e por que não? Que tal a inspiração 2Coríntios 5:15?
- “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”.
AQUELE QUE SE INTERESSA PELA VERDADE (AT 18.24-26)
Apolo foi humilde e não teve medo de conhecer com maior profundidade o caminho de Deus. Posso imaginar a delicadeza e a ternura com que o casal Priscila e Áqüila lhe dirigiram a palavra. Só assim puderam receber sua atenção. O ensino dinâmico e criativo promove quatro tipos de mudanças no ouvinte. Ele muda o conhecimento, o entendimento, a habilidade e a atitude. Quando ensinamos uma verdade bíblica, o maior valor está na mudança de atitude. O amor é a arma mais poderosa para gerar confiança e sem confiança não há educação. Somos portadores da verdade. Nosso propósito é que as pessoas possam nos ouvir e conhecer a verdade. Há muita gente em busca da verdade e precisamos ser sábios e amáveis para transmiti-la. Com orgulho, prepotência e soberba, os ouvintes nos evitarão. Apolo foi abençoado quando encontrou mestres afáveis e humildes.
CONCLUSÃO
A vida cristã é dinâmica. Deve ser compartilhada e reprodutiva. Nossas igrejas estão repletas de consumidores e vazias de reprodutores. Eu e você somos os agentes continuadores da obra retentora. Cremos no Deus Todo-Poderoso que fez, que faz e que fará em nós e por meio de nos grandes maravilhas. Que problemas enfrentamos e que posições corajosas devemos assumir para que aceleremos o nosso crescimento? Você é exemplo de discipulador?
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